sábado, 26 de junho de 2010

UM PAÍS A SAQUE

Os cinco anos de Sócrates como primeiro ministro terão sido os mais desastrosos do pós 25 de Abril para a generalidade dos portugueses. 
A subida do desemprego e o aumento do fosso entre ricos e pobres, será o mais pesado fardo que nos deixará. 
A crise mundial, financeira ou económica, explica pouco do que se tem passado em Portugal. 
A sucessão de escândalos de corrupção em que aparece o próprio ou a sua famiglia como personagens principais, a utilização dos meios e políticas do Estado para o enriquecimento de alguns dos seus, a mediocridade e pouca visão estratégica dos que o rodeiam e o continuado falhanço das políticas com que se submeteu aos sufrágios (quem não se lembra do “Espanha, Espanha, Espanha” ou dos “150 mil empregos”?) farão, certamente, com que o PS tenha um dos mais baixos resultados eleitorais de sempre. 
E não são precisas sondagens como esta para perceber que o resultado do inenarrável Constâncio enquanto secretário geral do PS, pode ser batido.
Neste momento, o problema maior para o país, nem é o perigo da maioria absoluta do PSD, mas sim, os últimos actos de umas hostes socialistas em pânico à procura da última negociata. Salvo os grande centros financeiros em que o bloco central está instituído (banca e grandes construtoras, por exemplo) as moscas preparam-se para a mudança.

M.S.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

OPINIÃO: PLANO DE ORDENAMENTO DA ALBUFEIRA DE PÓVOA E MEADAS

O Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território (MAOT) anunciou a revisão do Plano de Ordenamento de Albufeira (POA) de Póvoa e Meadas. A medida foi publicada em Diário da República, na última terça-feira.
Segundo explica no Despacho nº 10072/2010 a Secretária de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades, Fernanda Julião, as propostas do referido POA “estão desactualizadas e desfasadas da realidade actual”.
Recorde-se que o POA de Póvoa e Meadas foi aprovado em Março de 1998 e, desde então, registaram-se alterações várias que obrigam a esta revisão, como seja a classificação da barragem, que passou de “albufeira de utilização limitada” para “albufeira protegida”, ou o facto de a área de intervenção do POA estar agora abrangida pela área do Parque Natural da Serra de São Mamede, tendo o respectivo Plano de Ordenamento revogado algumas disposições do Regulamento do POA de Póvoa e Meadas.
Até dia 30 de Junho, está aberto o prazo para discussão pública, ou seja, para formulação de sugestões e apresentação de informações que possam ser consideradas no âmbito da elaboração do referido POA, sendo que a revisão do mesmo deverá estar concluída no prazo de nove meses, a partir da data da adjudicação dos trabalhos técnicos.
Com este anúncio do MAOT, cumpre-se uma vontade da Câmara Municipal de Castelo de Vide, que desde 2005 tem vindo a solicitar com urgência a alteração do referido POA, tendo também em vista a valorização do espaço envolvente da barragem.
O Despacho nº 10072/2010 publicado em Diário da República pode ser consultado em http://dre.pt/pdf2sdip/2010/06/114000000/3263332634.pdf






ALGUMAS IDEIAS
1 – ACESSIBILIDADES
Não faz sentido definir um Plano de Ordenamento em que se prevê e regulamenta a circulação de veículos automóveis e o seu estacionamento sem que, de alguma forma, se estabeleça as condições das vias de acesso à Albufeira. É sabido que, para além de Póvoa e Meadas, as populações de Nisa, Castelo de Vide, Alpalhão, Montalvão e de áreas mais distantes, incluindo Cedillo na vizinha Espanha, se deslocam em várias épocas do ano, com especial incidência no verão, para a Barragem para disfrutar da sua zona balnear, da pesca ou do simples convívio familiar.
Sem melhoramentos na estrada de Montalvão para Póvoa e Meadas e daqui para a Barragem e na estrada de Castelo de Vide/Alpalhão para a Barragem dificilmente haverá condições para tornar a Albufeira suficientemente atractiva para investimento nas suas potencialidades turísticas.
2 – SEGURANÇA
Estava prevista uma vistoria por parte do Governo para avaliação da necessidade de a EDP proceder a obras ao nível da segurança das infa-estruturas. Não sabemos se tal vistoria chegou a acontecer e a que conclusões terá chegado. Mas, com ou sem vistoria, é evidente para todos quantos passam pela Barragem que o paredão necessita urgentemente de uma intervenção.
Estando prevista a continuidade da exploração da componente energética é imperativo desviar o trânsito automóvel do paredão que, como se sabe, foi construído em 1927, época em que as preocupações com o impacto da intensidade e peso do tráfego automóvel na sua estrutura não poderiam estar ajustadas à realidade do presente.
3 – OCUPAÇÃO EM ESPAÇOS TURÍSTICOS
O POA que agora vai ser revisto prevê dois tipos de espaços turistícos para ocupação humana: hotelaria e campismo. A relação entre o nº de pessoas admitido em cada um dos tipos está manifestamente invertida, para além de totalmente desajustada das reais potencialidades da zona. Estabelece-se para a hotelaria um máximo de 1.200 pessoas (camas), enquanto que para o campismo esse máximo é de cerca de 180 pessoas (100 em tendas e 20 caravanas).
Como é evidente o espaço e ocupação previstos para o campismo é manifestamente insuficiente, mesmo para a realidade actual, sem qualquer investimento na componente turistíca. Já o espaço e oupação para a hotelaria parece assentar numa prespectiva irrealista tendo em conta os potenciais investimentos turistícos para a Albufeira e a oferta de camas existente na região.
4 – PATRIMÓNIO ARQUEOLÓGICO
A zona envolvente da Albufeira possui um conjunto apreciável de vestígios arqueológicos que importa salvaguardar. Assim o POA deve prever a preservação e potenciação deste património.
5 – INVESTIMENTO
O Plano não deve limitar o investimento turístico à iniciativa privada.
Dificilmente haverá condições no curto e mesmo no médio prazo para atrair investimento privado significativo para a zona. Assim as disposições do POA não deverão cercear de nenhuma forma a possibilidade de investimento público que poderá ser feito através de, nomeadamente, uma empresa municipal de âmbito restrito para a Albufeira ou de âmbito mais geral de promoção e aproveitamento turístico de todo o Concelho de Castelo de Vide.
6 – DIREITOS ADQUIRIDOS
O Plano não deverá reconhecer quaisquer direitos adquiridos a nenhuma entidade colectiva ou singular que opere ou pretenda vir a operar na área do turismo e hotelaria na zona uma vez que as suas actividades e ou ocupação de espaços não respeitam o estipulado nas disposições do POA em vigor nem resultam de concessão ao abrigo desse mesmo plano.
Competirá à entidade responsável pelas concessões que vierem a ser contratadas na zona, determinar as condições em que os ocupantes de espaços á data da aprovação do POA, poderão ou não permanecer, respeitando obviamente as disposições que vierem a ser incluídas no Plano.

Jorge Rosa



Jornal de Nisa

sexta-feira, 18 de junho de 2010

JOSÉ SAMAGO [ 1922 / 2010 ]


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OS TRABALHADORES QUE PAGUEM A CRISE

Os empresários estão preocupados com a situação do país (os empresários nunca estão preocupados consigo, mas com o país) e querem "rever as bases da competitividade, nomeadamente os custos da mão-de-obra" e correr menos riscos para "contratar e despedir pessoas". 
Que empresários são estes que querem ter lucro sem correr riscos?
E ser "competitivos" pagando menos e exigindo mais aos seus trabalhadores?
É sabido que Portugal é um dos países da Europa onde se trabalha mais e onde os custos laborais são mais baixos. 
E sucessivos estudos internacionais demonstram que a baixa produtividade das empresas portuguesas resulta sobretudo da má qualidade da gestão e do deficiente planeamento e organização do trabalho. 
Aqui, porém, os nossos empresários assobiam patrioticamente para o lado.

A.P.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

ISTO AINDA É PORTUGAL?

Para fazer avisos à navegação, andam por cá meia dúzia de gajos, entre os quais me incluo, modéstia à parte que, muitos antes do senhor Silva, já torciam o nariz quanto ao rumo traçado. E fizemo-lo de borla, sem assessores nem orçamentos de milhões, pagando da algibeira própria os meios nos quais expressámos receios e opiniões.

O presidente desta cambada tem a obrigação de falar grosso e corrigir os desmandos quando estes acontecem. 
Tem o poder de demitir quem não gere com rigor dinheiros públicos, quem não toma as decisões correctas para o bem comum, quem aparece misturado em estórias mal contadas de dinheiros tidos em parte incerta. 
É para isso que temos um presidente que nos custa mais do que a família real espanhola e uma enormidade de trolhas sentados na casa de putas de S. Bento, aos quais o senhor se deveria ter dirigido atempadamente, exigindo-lhes o desempenho das funções para as quais foram investidos.

Por isso senhor Silva, com todo o respeito que me merece a figura presidencial, vá para o caralho! 
A sua função (era) é, exacta e rigorosamente, a de evitar a situação que agora considera insustentável. 
Essa merda de dar palpites, e avisar para situações perigosas, é para qualquer um, não para o presidente de uma nação.

N.A.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

OPORTUNISTAS...

A única forma de gerar a riqueza que possa pagar o gigantesco calote da nação, é pelo trabalho. 
Não há aumento de impostos ou medidas de contenção que tenha efeito apreciável. 
Em 30 anos de governos nacionais, regionais e locais, liderados por oportunistas políticos, desmantelou-se o tecido produtivo, as pescas e a agricultura. 
O caixa da quadrilha no governo, continua a falar no total esmagamento deste gado sonolento que de canga no cachaço, se vê espoliado do produto do seu trabalho, roubado das contrapartidas devidas pelo Estado em troca dos muitos anos de descontos, impostos e roubos vários, legalizados por decreto-lei.
A corja que há perto de quarenta anos rompe o cu das calças e os estofos das cadeiras públicas, recorrentemente apresenta-se com piedosos discursos sobre o desemprego, e demais flagelos que fustigam aqueles que lhes garantem a boa vidinha a que, por meio da um qualquer quadrilha partidária, acederam. 
Dos ditos, não se vislumbra a mínima ideia de pôr o país a trabalhar. 
De traçar um plano para produzir novas gerações de portugueses, competentes e instruídos, reorganizar um tecido industrial capaz de produzir bens exportáveis, explorar a maior zona de mar da Europa ou, reanimar uma agricultura moderna e viável.
O caixa da quadrilha no comando, continua a falar de aumentar impostos, e retirar bonificações várias, como se fosse por aí que os problemas se resolvessem. 
A canga pesa e o gado abaixa-se.

N.A.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

COITADINHO DESTE, A MENTIRA É GANHA PÃO

Quando o Estorninho chilreia,
mostra, sem margem para dúvida,
a sem vergonha e a baixeza,
da canalha que nos governa!

Ao amigo P... avento,
que o Estorninho,
deve ter ninho no Largo do Rato,
cada vez mais próximo da Legião,
Fascista.

Para o Rato no poder,
a Mentira,
foi promovida a valor supremo,
ganha-pão, modo de vida!

Para o Rato no poder,
a Mentira,
é natural,
é respeitável.

Para o Rato no poder,
a Mentira,
é cotada na bolsa, tem "rating",
é suporte da Máfia que nos governa!

Para o Rato no poder,
a Verdade,
é tango com irmão gémeo,
filhos da mesma rata!

Que Valores maiores,
invoca o Estorninho,
para justificar a Mentira?
O direito dos ratos ao roubo?
O tráfico de favores entre ratos?
O negócio ilícito entre ratos?
O compadrio entre ratos?
O financiamento da rataria à custa do Estado?
A destruição de provas contra os ratos?
A protecção jurídica dos ratos debochados?

Que objectivos,
prossegue o Rato?
A alienação do Bem Comum?
A corrupção da Justiça, da Administração, e dos Serviços públicos?
A ruína do Estado de Direito?


M.

MAIS DOS VIGARISTAS DO PS

"mentirá sempre que estejam em causa valores maiores que a condenação da mentira impõe”.
discurso do Governador Civil de Portalegre - Jaime Estorninho

a propósito:

fala verdade a mentir
o nosso governador Estorninho
como alguém vai descobrir
onde o pássaro tem o ninho?


P.

terça-feira, 1 de junho de 2010

UNS ENGOLEM SAPOS ESTE GAGÁ E APANIGUADOS VÃO ENGOLIR UMA MANADA DE ELEFANTES...

Algum geriatra que tenha a paciência piedosa de explicar a Mário Soares que, nestas eleições, nunca seria candidato eleitoral e que Manuel Alegre era seu adversário, mas nas outras.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

A METÁFORA E O TANGO

Não dei a mão ao Governo: dei a mão ao País, disse Pedro Passos Coelho. É uma metáfora sorridente, destinada a justificar o conúbio deste PSD com o PS que por aí penosamente se move. A metáfora é uma forma de encantamento, e a dissimulação do que se não deseja abertamente dizer. Ao pretender salvar a pátria, deprimida e confusa, com um tropo linguístico, Passos coloca Sócrates num lugar errante e subalterno. Por seu turno, este, em Espanha, enche aquele de elogios, utilizando, também, uma metáfora, a do tango, para afirmar, ante uma plateia estupefacta, ter, agora, com quem dançar. Uma cena deprimente.

Sócrates já esvaziara de direcção e de sentido a sua política e a sua presunção. Mentiras, omissões, deambulações absurdas, uma certa pusilanimidade decisória tinham-lhe apagado o estilo e embaciado o retrato. Falou-se em arrogância o que, de facto, era falta de convicção, ausência de livros, ambiguidade ideológica. Está a descer rapidamente a rampa. Não sinto o mais escasso contentamento com dizer isto; pelo contrário.

Pedro Passos Coelho apercebeu-se da debilidade. E, igualmente, da oportunidade surgida das indecisões do adversário e do evidente mal-estar no PS. Até o cauteloso e matreiro Seguro, que sempre preferira expressar-se com frases evasivas e castos comentários, começou a protestar, no objectivo essencial de tomar lugar no proscénio. O PS anda numa deriva interminável e só agora o cândido moço desperta, com sobressalto. António José Seguro não passa, realmente, do rasto das coisas.

Quanto a Passos Coelho, ele sabe que não embarcou numa aventura perigosa. Se Sócrates cair, ele não se estatela porque desempenhou o bondoso papel de preferir a pátria ao partido. Acaso Sócrates sair vencedor destes imbróglios e surja aos olhos dos paisanos como a Fénix renascida, Passos Coelho desfrutará do lugar daquele que procedeu a grandes magnitudes e a decentíssimos comportamentos políticos.

José Sócrates talvez ainda se não tenha apercebido, ou apercebeu- -se e gosta da vaidade lisonjeada, de que está rodeado de sabujos, uma gente degradante, para quem o exercício de pensar é uma embaraçosa maçada. Basta assistir aos preopinantes que o defendem para aquilatarmos da natureza dos seus caracteres e da substância do que dizem. O caso da protelação do apoio a Manuel Alegre é uma pequena vingança de pequenos medíocres, sem aprumo nem grandeza, que chegam a espadeirar-se no insulto rasteiro.

O Governo é um descalabro, e o PS um partido enfermo pelo poder. Há uma corrosão acentuada na sociedade portuguesa. A impostura adquiriu carta de alforria: ninguém é culpado, ninguém é responsabilizado. 
Quem nos acode?


B.B.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

GOVERNOS CIVIS PARA QUÊ?

Quando um primeiro-ministro coloca um imposto ao nível de um refrigerante, torna-se ele próprio um detergente. 
Mas há dislates que são como nódoas: não se limpam. 
Quando se equipara um refrigerante ao leite e ao pão, para defender o indefensável (o aumento da taxa do IVA de 5% para 6%), Sócrates mostrou que já não diferencia a realidade da ficção. 
Para ele avatar é a realidade e a sopa dos pobres a ficção. 
Esta crise necessita de sacrifícios. 
Mas precisa também de políticos crescidos. 
A trapalhada em que se encontra Portugal deve muito ao que Sócrates fez nos últimos anos. 
A desculpa para os seus erros não pode ser um refrigerante com borbulhas. 
Na primeira legislatura Sócrates teve tudo para reformar o Estado e para definir um modelo económico para Portugal. 
Agora é tarde. 
Esta crise é de identidade. 
Porque é uma crise de quem nunca cresceu politicamente e que faz da política um jogo do Ken e da Barbie
Esta crise tem a ver com a reforma do Estado. Aumenta-se o IVA de produtos essenciais, mas não se tem a coragem de acabar com uma figura jurássica do Estado: os Governos Civis. 
Para que servem, para além de serem clubes de empregos políticos? 
Os Governos Civis ocupam-se de funções que qualquer serviço do Estado faria. 
Mas esta é a riqueza oculta de um Estado que diz para poupar e que lança impostos sobre o pão e o leite. 
Os Governos Civis são glutões da riqueza dos contribuintes. 
Sócrates, quando pôde, não promoveu a verdadeira reforma: a do Estado. 
Agora, feito em fanicos, afaga as suas mágoas em refrigerantes com gás.

F.S.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

MAIS DOS MESMOS VIGARISTAS ...

Ricardo Rodrigues, deputado do Partido Socialista questionado pelos jornalistas da Sábado sobre a sua ligação a um gang internacional,   interrompeu a entrevista, que decorria na biblioteca da Assembleia da República, e roubou os dois gravadores digitais aos jornalistas. 
Agora, que a revista colocou a história e o vídeo no seu site, diz que foi vítima de uma violência psicológica insuportável construída sobre premissas falsas.

Vale a pena lembrar, então, o que diz o acórdão do Tribunal da Relação para ver o original entendimento que o deputado Ricardo Rodrigues faz de uma premissa falsa:
Nesta conformidade, necessário será concluir, como na decisão recorrida, que a imputação feita ao assistente pelo artigo incriminado de se encontrar “envolvido com um gang internacional” é obviamente insultuosa e indelicada, mas não deixa de estar justificada em factos, que a prova carreada nos autos permite dar, no essencial, como demonstrados.

terça-feira, 27 de abril de 2010

"AO ESTADO A QUE ISTO CHEGOU"

Creio que Cavaco Silva quando decide ler um discurso na Assembleia da República o faz para o Povo pé rapado, que vota mas não domina os meandros da política, da economia, da vigarice nas empresas públicas e outras em que o Estado tem posição.
Eu não acredito que Cavaco Silva não soubesse desde sempre qual a política de remunerações das empresas públicas e das outras em que o Estado tem participação.
Se não soubesse tal representaria uma falha dos serviços de informações da Presidência da República e mostraria um PR "nas nuvens" para usar o título de uma obra de Aristófanes, contra Sócrates.

O que o Presidente da República deveria dizer aos portugueses era isto:
"Portugueses, o PSD, o PS e o CDS têm seguido desde sempre a política de cada um quando está no Governo dar aos membros dos partidos na Oposição lugares de direcção e outros nas empresas públicas, para alimentar o "pessoal político de cada um dos partidos.
Portugueses, o PSD, o PS e o CDS têm alimentado toda a sua clientela, na Oposição ou no Poder, através de cargos em empresas públicas, institutos públicos, empresas em que o Estado tem participação, sempre com a certeza que na Oposição ou no Poder os nossos amigos e confrades têm sempre tacho.
Portugueses, hoje chegou o tempo em que se tem de mudar isto.
E sobretudo tem de se impedir os milhões de euros de prémios, os milhares de euros que cada um dos administradores não executivos - meros tachos! - recebem para irem a cada reunião, e que é mais de 7000 mil euros num dia!

Caros amigos, deixemos-nos de paninhos quentes. Cavaco Silva sabia disto tudo.
Cavaco Silva vem agora na AR insurgir-se contra isto!? Quem o pode levar a sério?
Por onde andou Cavaco Silva?
Que credibilidade pode ter?
Até o Presidente da República Checa o amesquinhou na semana passada, em Praga!
Os portugueses deixem de ser carneiros e façam o que outros Povos fazem: Revoltem-se e acabem com esta mana!

Cavaco Silva é um dos principais culpados do "estado a que isto chegou" ,para parafrasear o Capitão Salgueiro Maia.
Têm-se limitado a deixar Sócrates afundar mais e mais Portugal. Cavaco Silva tem sido o seu principal aliado.
Porque o "estado a que isto chegou" só chegou porque Cavaco Silva não fez com que Sócrates caísse aquando do caso Licenciatura e toda a trapalhada no site do Governo e na AR.
O PS e Sócrates estão sempre seguros com Cavaco Silva.
Com Cavaco Silva os portugueses e Portugal estão a morrer, aos poucos.
Mais até, o PSD está a desenvolver o plano para apresentar uma moção de censura ao Governo e provocar eleições depois das novas eleições presidenciais.
O PS sabe da estratégia e vai reagir, porque Sócrates e o PS têm muito em jogo.
O PSD faz mal.
Faz mal porque a moção de censura era já hoje!
Em Março ou Abril do próximo ano o PS já se reorganizou.
A não ser que Pedro Passos Coelho tenha a lucidez de fazer cair o Governo já e ir a votos, para o Povo escolher.
Já, já, já!

J.M.M.

sábado, 24 de abril de 2010

FOI HÁ 36 ANOS


Foi por uma fresta que a liberdade entrou. Sem pedir licença, o frémito, insurgente, corrompeu a noite da ditadura. As mil e uma noites do regime amadureceram em soberba, mas caíram pela pureza da poesia nas ruas de Lisboa, numa aurora que tardava - que sempre se demorou - mas que se ia adivinhando na alma de alguns. E Portugal dormia. Era tarde. Era noite. Era uma noite como qualquer outra na longa noite da ditadura. Estávamos cansados. Dormíamos.

A palavra escrita, a palavra cantada emergiu do rádio. Músicas e palavras que ficaram no imaginário de todos, mas que poucos escutaram em directo e muitos menos entenderam o real impacto daquelas senhas. A madrugada foi insuflando o caminho para a alvorada, para o despertar, para a aurora de um novo tempo. Mas o país dormia. Cansado, talvez. Uns resignados. Outros sonhavam. Todos repousavam em si, sobre si, sobre este Portugal amordaçado e cansado, sobre perene tristeza e desesperança. Lá fora estava escuro. E estávamos cansados. Esta seria a última noite assumidamente... noite. Um novo Portugal zurzia por entre o postigo que se estava a abrir na derradeira noite da ímpia obscuridade, do torpor que se preparava para se renegar a si próprio e deixar cair a mais longa ditadura europeia do século XX. Os capitães, os soldados, toldados de dúvidas e medos tentariam levar a cabo a tentativa de derrubar o governo de Marcelo Caetano e colocar o ponto final a quase 50 anos de Estado Novo. Sim, esta era a madrugada. Era esta a hora. Era a derradeira noite. Era tempo do medo recolher as garras.

Portugal dormia.

Era tarde.

Estávamos cansados.

Esta é a madrugada que eu esperava

O dia inicial inteiro e limpo

Onde emergimos da noite e do silêncio

E livres habitamos a substância do tempo

(Sophia de Mello Breyner)

24 de Abril de 1974. Às 22.55 é emitida a primeira senha que desencadeará a acção militar que levará ao fim do regime. As palavras soaram na noite pela voz de João Paulo Dinis aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa: “Faltam cinco minutos para as vinte e três horas. Convosco, Paulo de Carvalho com o Eurofestival 74 «E Depois do Adeus».

Era o primeiro sinal para o início das operações militares a desencadear pelo Movimento das Forças Armadas.

Quis saber quem sou

O que faço aqui

Quem me abandonou

De quem me esqueci

Perguntei por mim

Quis saber de nós

Mas o mar

Não me traz

Tua voz...

Em silêncio, amor

Em tristeza e fim

Eu te sinto, em flor

Eu te sofro, em mim

Eu te lembro, assim

Partir é morrer

Como amar

É ganhar

E perder.

[...]

(Paulo de Carvalho)

Ninguém suspeita. Ninguém sabe. Ninguém poderia saber. Portugal dorme. Cansado.

Madrugada de 25 de Abril de 1974. Meia-noite e vinte. Lê mos que nos estúdios da Rádio Renascença, na Rua Capelo, ao Chiado, Paulo Coelho, ignora os compromissos assumidos pelos seus colegas do programa Limite, e lê anúncios publicitários. Apesar dos sinais desesperados de Manuel Tomás, que se encontra na cabina técnica acompanhado de Carlos Albino, para sair do ar, o radialista prossegue paulatinamente a sua tarefa. Após 19 segundos de aguda tensão, Tomás dá uma “sapatada” na mão do técnico José Videira, provocando o arranque da bobine com a gravação que continha a célebre senha: a canção Grândola Vila Morena, de Zeca Afonso rasga a noite.

Grândola, vila morena

Terra da fraternidade

O povo é quem mais ordena

Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade

O povo é quem mais ordena

Terra da fraternidade

Grândola, vila morena

Em cada esquina, um amigo

Em cada rosto, igualdade

Grândola, vila morena

Terra da fraternidade

Terra da fraternidade

Grândola, vila morena

Em cada rosto, igualdade

O povo é quem mais ordena

[...]

(Zeca Afonso)

Irreversível, agora.

Portugal dormia. Nos quartéis, porém, ele estava acordado.

Expectativa.

Medo.

E a história serpenteava pelas ruas. A noite consumada era feita de poesia. A poética marcha. Lá fora, na rua, o país avançava no rodado dos blindados. Os heróis anónimos começaram a rasgar espaço nos livros de história.

Amanheceu em Portugal. O país acordou. Ninguém cansado.

Havia gente e cravos na rua.

Bom dia, liberdade.

Bom dia, sonho.

Eles não sabem que o sonho

é uma constante da vida

tão concreta e definida

como outra coisa qualquer

como esta pedra cinzenta

em que me sento e descanso

como este ribeiro manso

em serenos sobressaltos

como estes pinheiros altos

que em verde e oiro se agitam

como estas árvores que gritam

em bebedeiras de azul.

[...]

(António Gedeão)

OS VÍCIOS DO SALAZARISMO

Sonegadas as palavras, retraídos os sonhos, freados os ímpetos. Os arquivos remetem-nos para um tempo habitado por estranhos feitos, espúrios métodos, coexistindo nesse hiato de bizarrias várias, o hiato das liberdades. A imprensa teve as rédea demasiado curtas. Jornalistas e directores que ousavam o caminho da afronta depressa eram “referenciados” e pressionados a calarem-se. Nas redacções abundavam as provas cortadas pelos Serviços de Censura, páginas carimbadas a azul e a vermelho. Alguns cortes eram cirúrgicos, amputando nomes proibidos, extirpando factos. Outros carimbos anunciavam o corte integral do texto, profano para o bem de uma nação que se queria mantida na ignorância, como se o dia-a-dia não fosse prova suficiente para quem quisesse ver. Tudo era alvo da atenção dos censores.

Refazer jornais à última hora era uma das ocupações das redacções. Tentar meter notícias sem chamar a atenção da censura era talento que se ia apurando à secretária. Dizer sem o dizer. Saber ler nas entrelinhas foi um exercício que os leitores foram aprumando em ditadura. Era nessas entrelinhas, naquela vírgula, naquele sinónimo e, sobretudo, no que não era escrito, que as notícias se escreviam.

Eram dias de faz-de-conta. Na política, as eleições eram um artifício. Não eram livres. Todos o sabiam. Mas faziam-se e cumpriam-se no faz-de-conta. Ai de alguém que exprimisse o contrário. Basta olhar para um recenseamento eleitoral de 1966 e ver quem eram os eleitos para votar. Mas a prova já tinha sido feita bem antes, quando o general Humberto Delgado afrontou o Salazar, candidatando-se à Presidência da República, contra o candidato do regime, Américo Tomás. As eleições de 1958, sob forte suspeita de fraude, ditaram-lhe a derrota. Seria de esperar algo de distinto? Mas a afronta não foi esquecida. O general foi assassinado por agentes da PIDE em Villanueva del Fresno, Espanha, em 1965.

O país dos brandos costumes e das virtudes propagadas aos ventos tinha terríveis vícios privados na cúpula do regime. 

N.F.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

ABRIL...

E já passaram 36 anos sobre aquele momento libertador que muitos acreditaram ser o passo para uma outra sociedade.

A distância da data histórica permite que quase todos comemorem, comemorando coisas diferentes. Há quem comemore a liberdade, há quem comemore o sonho que parecia possível, até há quem comemore o contrário dos ideais de Abril.

Também há os que aproveitem a data para aprofundar o processo de revisionismo histórico, para plantarem "heróis" convenientes em cenários onde nunca estiveram.

Muitos de nós caímos na tentação de ficar presos na lembrança de momentos de entusiasmo irrepetível, de solidariedades que pareciam não ter fim, de transformações políticas que pareciam acontecer por milagre.

Recordamos cantores e canções, alguns deles desafinam hoje o que afinavam naquela época e falam desse tempo como quem fala de um momento de passageira loucura.

Também recordamos, algumas vezes com uma frase que envolve referência às progenitoras, aqueles camaradas que pareciam ter a revolução a correr-lhes nas veias, que eram mais revolucionários que a própria ideia de revolução e que afinal, quando os ventos mudaram, eles mudaram ainda mais depressa que o vento.

Nas escolas a maioria dos professores transmitirá aos alunos o que é consensual na comemoração e ocultará o que de mais exaltante aconteceu, porque falar em reforma agrária, nacionalizações, controlo operário, não é politicamente correcto.

Não fujo a nenhuma destas vertentes da comemoração. Também regresso à adolescência, também povoo a memória de canções, de episódios, de frases escritas numa parede.

Apesar dessa incontornável nostalgia, prefiro festejar o Abril que falta cumprir. Prefiro festejar a disponibilidade de continuar a acreditar num futuro onde a liberdade e a igualdade se encontrem, onde a democracia não se esgota em actos eleitorais e se cumpre na vertente política, cultural e económica.

Contrariamente ao que nos pretendem fazer crer, os tempos que vivemos hoje não são consequência da revolução de Abril. São uma consequência do que ficou por cumprir de Abril.

A melhor forma de festejarmos o 25 de Abril, não é a olhar para trás. É com os olhos postos no futuro, empenhados na sua construção, lutando para que se cumpram os seus ideais.

Cantemos a Grândola, não como um hino do passado, mas como um projecto cantado de uma sociedade que ainda não alcançámos.

A azinheira que já não sabia a idade e que nos fazia reféns da sua sombra, aligeirou-se, mudou de aspecto, modernizou-se e está mais liberal, mas continua a cumprir o seu papel.

Embora pareça, ainda não é o povo quem mais ordena, porque como dizia a canção do Sérgio, só há liberdade a sério quando houver /liberdade de mudar e decidir/ quando pertencer ao povo o que o povo produzir.




Abril não é passado. É o futuro de que não nos podemos permitir desistir.

E.L.