sexta-feira, 3 de setembro de 2010

DESGRAÇA

Portugal tratou sempre mal os portugueses. "País padrasto, pátria madrasta", escreveu João de Barros, o imenso autor das "Décadas." Poucos ou ninguém o lêem. No entanto, Barros é um dos maiores entre os maiores. As "Décadas" contêm tudo o que é género literário, numa cosmovisão absolutamente invulgar. Foi maltratado, como os portugueses maiores. As classes dirigentes nunca apreciaram quem as superasse, em inteligência, prospectiva e sonho. Camões morreu cheio de fome, desprezado pelos que mandavam e pelos que obedeciam cegamente. O poeta era tido como um vagabundo, depois de ser considerado um arruaceiro e um brigão sem emenda.

"Vais ao paço, pedir a tença / e pedem-te paciência", retratou-o Sophia, com o coração feito lágrimas, num dos grandes poemas consagrados a Camões. As classes dirigentes desdenham-nos. E nós vamo-las enriquecendo. Éramos menos de um milhão quando o alvoroço da aventura, mas, também, a fome, nos embarcou em cascas de nós. Heróis escorbúticos sem eira e de pouco beira, porém com uma valentia que, hoje, nos causa espanto.

Fomos por aí fora e fizemos um leito de nações. Dormimos com a preta, com a parda, com a chinesa, com a índia, com tudo o que era mulher e saciasse a nossa sede de sexo, de calor humano - de rações, por escassas que fossem, de ternura e de braços nos abraços. Mal ou bem, pertencemos a esta estirpe: guerreiros e santos, mais guerreiros do que santos, caldeámos o ser na violência, na malandrice e na poesia.

Aqueles que sempre nos destrataram, têm-nos enviado, ao longo dos séculos, para paragens longínquas, a fim de defender "a pátria." Não era a pátria que defendíamos: eram as roças dos outros, os interesses dos outros, a fortuna dos outros. Nem, sequer, com a glória ficávamos.

Dependuravam-nos, e nos peitos dos pais cujos filhos haviam morrido sem saber rigorosamente porquê, umas medalhas absurdas, e davam-nos uns abraços sem honra, nem grandeza nem glória. Fizemos, em todas as áfricas onde estivemos, o que se faz nas guerras: matámos, estropiámos, cometemos barbaridades inconcebíveis. E fomos mortos, estropiados, perdemos o viço da juventude. Para quê?

Depressa nos esquecemos dessa saga de misérias. E, até, desprezámos aqueles que tinham lá estado, ou esquecemos os mortos que lá tinham permanecido, os nomes perdidos, as idades perdidas, as vidas perdidas. Portugal trata mal os portugueses. Os portugueses são os primeiros a tratar mal os portugueses. Portugal não é uma entidade abstracta: somos nós todos, naturalmente uns com maiores responsabilidades do que outros.

Não nos gostamos, essa é que é essa. O despeito, a inveja, o ciúme conduz a tudo o que há de pior no ser humano. E o português médio possui uma razoável dose daquelas maleitas. É endémico. E as coisas estão cada vez piores. Reparem no caso Saramago. Odiavam-no porque era famoso, rico, e não escondia as opções morais e ideológicas que o tinham formado. As reticências repugnantes que certos articulistas (para já não falar em políticos) apõem à obra do grande escritor são pequenos indícios da nossa pequenez. Disseram tudo do homem, chegaram a entrar na intimidade e nas decisões de carácter particular por ele tomadas. Mentiram, caluniaram descaradamente. Dois medíocres assanhados chegaram, um a impedir que fosse candidato a um prémio europeu; outro a promover a ideia tolíssima de se lhe retirar a nacionalidade.

É gente deste jaez e estilo que nos tem governado, séculos e séculos a fio. Contra esta imbecilidade generalizada, com um esforço inaudito e enorme desperdício de energias se têm oposto todos aqueles que, através da palavra e dos actos, têm, realmente, desenhado a fisionomia cultural, ética e moral do País.

E chega a ser confrangedor o nível das elites actuais. Tenho assistido, através das televisões, a parte das sessões que o PSD tem promovido, como cursos de verão, em Castelo de Vide. É mais do mesmo. Surpreendente é o facto de Marcelo Rebelo de Sousa ter considerado como "social-democrata" a política de Pedro Passos Coelho. Não sei, gostaria de saber, se a história da social-democracia europeia figura naqueles cursos. Acaso um ou dois preopinantes saiba do assunto. Nem lhes interessa dilucidar o problema. É nesta "pérfida embrulhada", para citar outro português maior, Jorge de Sena, que vamos sobrevivendo. Omissão, mentira, embuste, cambalhotas intelectuais. E não é apenas José Sócrates o paladino destas tropelias.

Há, claramente, uma escassez de pedagogia. Um afã doentio do poder pelo poder. Um inquieto corrupio pela expectativa da nova distribuição de prebendas. Eles não se interessam por nós. Temos de fazer com que eles entendam que estamos cansados de os aturar. E temos, nós próprios, de entender que há alternativas a esta desgraça que nos não abandona.

B.B.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

PREFIRO AS PEGAS DE CERNELHA, AOS RABEJADORES DA DEMAGOGIA E DA PORPAGANDA

Depois de ler isto:

5 de Julho de 2010

A palavra dos leitores:
Não é a primeira vez que os Bombeiros dispõem de um equipamento desfibrilhador


Do nosso leitor João Manuel Melancia recebemos a seguinte mensagem com pedido de rectificação de uma notícia que a seguir publicamos na íntegra:
“Esta notícia não corresponde completamente à verdade e gostaria que fosse rectificada.
Quando eu entrei para a direcção dos Bombeiros (há mais de 12 anos), era ainda comandante dos bombeiros o Luis Costa, já havia nos bombeiros 1 monitor-desfibrilhador que fazia parte do equipamento de 1 ambulância (como vês nem sequer foi a minha direcção que o comprou).
Foi completamente arranjado e certificado, estando a funcionar quando saímos dos bombeiros.
Aliás isto pode ser perfeitamente confirmado no Centro de Saúde (que julgo utilizou algumas vezes este equipamento) e nos próprios bombeiros.
Se neste momento não estava operacional por velhice ou por se ter estragado, isso já não sei.
O que sei é que é incorrecto e até abusivo dizer (e por isso devia ser rectificado) que “pela primeira vez na sua história, o Centro de Saúde e os Bombeiros Voluntários de Castelo de Vide dispõem de desfibrilhadores”.
Agradecia rectificação da notícia.
Um abraço
João Melancia
N.R. – Procedemos de imediato à correcção actualização da notícia original publicada AQUI.

Só me resta dizer:

Sirvam as instituições, não se sirvam das instituições para fazer política.

TENHAM VERGONHA!

sábado, 26 de junho de 2010

UM PAÍS A SAQUE

Os cinco anos de Sócrates como primeiro ministro terão sido os mais desastrosos do pós 25 de Abril para a generalidade dos portugueses. 
A subida do desemprego e o aumento do fosso entre ricos e pobres, será o mais pesado fardo que nos deixará. 
A crise mundial, financeira ou económica, explica pouco do que se tem passado em Portugal. 
A sucessão de escândalos de corrupção em que aparece o próprio ou a sua famiglia como personagens principais, a utilização dos meios e políticas do Estado para o enriquecimento de alguns dos seus, a mediocridade e pouca visão estratégica dos que o rodeiam e o continuado falhanço das políticas com que se submeteu aos sufrágios (quem não se lembra do “Espanha, Espanha, Espanha” ou dos “150 mil empregos”?) farão, certamente, com que o PS tenha um dos mais baixos resultados eleitorais de sempre. 
E não são precisas sondagens como esta para perceber que o resultado do inenarrável Constâncio enquanto secretário geral do PS, pode ser batido.
Neste momento, o problema maior para o país, nem é o perigo da maioria absoluta do PSD, mas sim, os últimos actos de umas hostes socialistas em pânico à procura da última negociata. Salvo os grande centros financeiros em que o bloco central está instituído (banca e grandes construtoras, por exemplo) as moscas preparam-se para a mudança.

M.S.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

OPINIÃO: PLANO DE ORDENAMENTO DA ALBUFEIRA DE PÓVOA E MEADAS

O Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território (MAOT) anunciou a revisão do Plano de Ordenamento de Albufeira (POA) de Póvoa e Meadas. A medida foi publicada em Diário da República, na última terça-feira.
Segundo explica no Despacho nº 10072/2010 a Secretária de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades, Fernanda Julião, as propostas do referido POA “estão desactualizadas e desfasadas da realidade actual”.
Recorde-se que o POA de Póvoa e Meadas foi aprovado em Março de 1998 e, desde então, registaram-se alterações várias que obrigam a esta revisão, como seja a classificação da barragem, que passou de “albufeira de utilização limitada” para “albufeira protegida”, ou o facto de a área de intervenção do POA estar agora abrangida pela área do Parque Natural da Serra de São Mamede, tendo o respectivo Plano de Ordenamento revogado algumas disposições do Regulamento do POA de Póvoa e Meadas.
Até dia 30 de Junho, está aberto o prazo para discussão pública, ou seja, para formulação de sugestões e apresentação de informações que possam ser consideradas no âmbito da elaboração do referido POA, sendo que a revisão do mesmo deverá estar concluída no prazo de nove meses, a partir da data da adjudicação dos trabalhos técnicos.
Com este anúncio do MAOT, cumpre-se uma vontade da Câmara Municipal de Castelo de Vide, que desde 2005 tem vindo a solicitar com urgência a alteração do referido POA, tendo também em vista a valorização do espaço envolvente da barragem.
O Despacho nº 10072/2010 publicado em Diário da República pode ser consultado em http://dre.pt/pdf2sdip/2010/06/114000000/3263332634.pdf






ALGUMAS IDEIAS
1 – ACESSIBILIDADES
Não faz sentido definir um Plano de Ordenamento em que se prevê e regulamenta a circulação de veículos automóveis e o seu estacionamento sem que, de alguma forma, se estabeleça as condições das vias de acesso à Albufeira. É sabido que, para além de Póvoa e Meadas, as populações de Nisa, Castelo de Vide, Alpalhão, Montalvão e de áreas mais distantes, incluindo Cedillo na vizinha Espanha, se deslocam em várias épocas do ano, com especial incidência no verão, para a Barragem para disfrutar da sua zona balnear, da pesca ou do simples convívio familiar.
Sem melhoramentos na estrada de Montalvão para Póvoa e Meadas e daqui para a Barragem e na estrada de Castelo de Vide/Alpalhão para a Barragem dificilmente haverá condições para tornar a Albufeira suficientemente atractiva para investimento nas suas potencialidades turísticas.
2 – SEGURANÇA
Estava prevista uma vistoria por parte do Governo para avaliação da necessidade de a EDP proceder a obras ao nível da segurança das infa-estruturas. Não sabemos se tal vistoria chegou a acontecer e a que conclusões terá chegado. Mas, com ou sem vistoria, é evidente para todos quantos passam pela Barragem que o paredão necessita urgentemente de uma intervenção.
Estando prevista a continuidade da exploração da componente energética é imperativo desviar o trânsito automóvel do paredão que, como se sabe, foi construído em 1927, época em que as preocupações com o impacto da intensidade e peso do tráfego automóvel na sua estrutura não poderiam estar ajustadas à realidade do presente.
3 – OCUPAÇÃO EM ESPAÇOS TURÍSTICOS
O POA que agora vai ser revisto prevê dois tipos de espaços turistícos para ocupação humana: hotelaria e campismo. A relação entre o nº de pessoas admitido em cada um dos tipos está manifestamente invertida, para além de totalmente desajustada das reais potencialidades da zona. Estabelece-se para a hotelaria um máximo de 1.200 pessoas (camas), enquanto que para o campismo esse máximo é de cerca de 180 pessoas (100 em tendas e 20 caravanas).
Como é evidente o espaço e ocupação previstos para o campismo é manifestamente insuficiente, mesmo para a realidade actual, sem qualquer investimento na componente turistíca. Já o espaço e oupação para a hotelaria parece assentar numa prespectiva irrealista tendo em conta os potenciais investimentos turistícos para a Albufeira e a oferta de camas existente na região.
4 – PATRIMÓNIO ARQUEOLÓGICO
A zona envolvente da Albufeira possui um conjunto apreciável de vestígios arqueológicos que importa salvaguardar. Assim o POA deve prever a preservação e potenciação deste património.
5 – INVESTIMENTO
O Plano não deve limitar o investimento turístico à iniciativa privada.
Dificilmente haverá condições no curto e mesmo no médio prazo para atrair investimento privado significativo para a zona. Assim as disposições do POA não deverão cercear de nenhuma forma a possibilidade de investimento público que poderá ser feito através de, nomeadamente, uma empresa municipal de âmbito restrito para a Albufeira ou de âmbito mais geral de promoção e aproveitamento turístico de todo o Concelho de Castelo de Vide.
6 – DIREITOS ADQUIRIDOS
O Plano não deverá reconhecer quaisquer direitos adquiridos a nenhuma entidade colectiva ou singular que opere ou pretenda vir a operar na área do turismo e hotelaria na zona uma vez que as suas actividades e ou ocupação de espaços não respeitam o estipulado nas disposições do POA em vigor nem resultam de concessão ao abrigo desse mesmo plano.
Competirá à entidade responsável pelas concessões que vierem a ser contratadas na zona, determinar as condições em que os ocupantes de espaços á data da aprovação do POA, poderão ou não permanecer, respeitando obviamente as disposições que vierem a ser incluídas no Plano.

Jorge Rosa



Jornal de Nisa

sexta-feira, 18 de junho de 2010

JOSÉ SAMAGO [ 1922 / 2010 ]


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OS TRABALHADORES QUE PAGUEM A CRISE

Os empresários estão preocupados com a situação do país (os empresários nunca estão preocupados consigo, mas com o país) e querem "rever as bases da competitividade, nomeadamente os custos da mão-de-obra" e correr menos riscos para "contratar e despedir pessoas". 
Que empresários são estes que querem ter lucro sem correr riscos?
E ser "competitivos" pagando menos e exigindo mais aos seus trabalhadores?
É sabido que Portugal é um dos países da Europa onde se trabalha mais e onde os custos laborais são mais baixos. 
E sucessivos estudos internacionais demonstram que a baixa produtividade das empresas portuguesas resulta sobretudo da má qualidade da gestão e do deficiente planeamento e organização do trabalho. 
Aqui, porém, os nossos empresários assobiam patrioticamente para o lado.

A.P.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

ISTO AINDA É PORTUGAL?

Para fazer avisos à navegação, andam por cá meia dúzia de gajos, entre os quais me incluo, modéstia à parte que, muitos antes do senhor Silva, já torciam o nariz quanto ao rumo traçado. E fizemo-lo de borla, sem assessores nem orçamentos de milhões, pagando da algibeira própria os meios nos quais expressámos receios e opiniões.

O presidente desta cambada tem a obrigação de falar grosso e corrigir os desmandos quando estes acontecem. 
Tem o poder de demitir quem não gere com rigor dinheiros públicos, quem não toma as decisões correctas para o bem comum, quem aparece misturado em estórias mal contadas de dinheiros tidos em parte incerta. 
É para isso que temos um presidente que nos custa mais do que a família real espanhola e uma enormidade de trolhas sentados na casa de putas de S. Bento, aos quais o senhor se deveria ter dirigido atempadamente, exigindo-lhes o desempenho das funções para as quais foram investidos.

Por isso senhor Silva, com todo o respeito que me merece a figura presidencial, vá para o caralho! 
A sua função (era) é, exacta e rigorosamente, a de evitar a situação que agora considera insustentável. 
Essa merda de dar palpites, e avisar para situações perigosas, é para qualquer um, não para o presidente de uma nação.

N.A.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

OPORTUNISTAS...

A única forma de gerar a riqueza que possa pagar o gigantesco calote da nação, é pelo trabalho. 
Não há aumento de impostos ou medidas de contenção que tenha efeito apreciável. 
Em 30 anos de governos nacionais, regionais e locais, liderados por oportunistas políticos, desmantelou-se o tecido produtivo, as pescas e a agricultura. 
O caixa da quadrilha no governo, continua a falar no total esmagamento deste gado sonolento que de canga no cachaço, se vê espoliado do produto do seu trabalho, roubado das contrapartidas devidas pelo Estado em troca dos muitos anos de descontos, impostos e roubos vários, legalizados por decreto-lei.
A corja que há perto de quarenta anos rompe o cu das calças e os estofos das cadeiras públicas, recorrentemente apresenta-se com piedosos discursos sobre o desemprego, e demais flagelos que fustigam aqueles que lhes garantem a boa vidinha a que, por meio da um qualquer quadrilha partidária, acederam. 
Dos ditos, não se vislumbra a mínima ideia de pôr o país a trabalhar. 
De traçar um plano para produzir novas gerações de portugueses, competentes e instruídos, reorganizar um tecido industrial capaz de produzir bens exportáveis, explorar a maior zona de mar da Europa ou, reanimar uma agricultura moderna e viável.
O caixa da quadrilha no comando, continua a falar de aumentar impostos, e retirar bonificações várias, como se fosse por aí que os problemas se resolvessem. 
A canga pesa e o gado abaixa-se.

N.A.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

COITADINHO DESTE, A MENTIRA É GANHA PÃO

Quando o Estorninho chilreia,
mostra, sem margem para dúvida,
a sem vergonha e a baixeza,
da canalha que nos governa!

Ao amigo P... avento,
que o Estorninho,
deve ter ninho no Largo do Rato,
cada vez mais próximo da Legião,
Fascista.

Para o Rato no poder,
a Mentira,
foi promovida a valor supremo,
ganha-pão, modo de vida!

Para o Rato no poder,
a Mentira,
é natural,
é respeitável.

Para o Rato no poder,
a Mentira,
é cotada na bolsa, tem "rating",
é suporte da Máfia que nos governa!

Para o Rato no poder,
a Verdade,
é tango com irmão gémeo,
filhos da mesma rata!

Que Valores maiores,
invoca o Estorninho,
para justificar a Mentira?
O direito dos ratos ao roubo?
O tráfico de favores entre ratos?
O negócio ilícito entre ratos?
O compadrio entre ratos?
O financiamento da rataria à custa do Estado?
A destruição de provas contra os ratos?
A protecção jurídica dos ratos debochados?

Que objectivos,
prossegue o Rato?
A alienação do Bem Comum?
A corrupção da Justiça, da Administração, e dos Serviços públicos?
A ruína do Estado de Direito?


M.

MAIS DOS VIGARISTAS DO PS

"mentirá sempre que estejam em causa valores maiores que a condenação da mentira impõe”.
discurso do Governador Civil de Portalegre - Jaime Estorninho

a propósito:

fala verdade a mentir
o nosso governador Estorninho
como alguém vai descobrir
onde o pássaro tem o ninho?


P.

terça-feira, 1 de junho de 2010

UNS ENGOLEM SAPOS ESTE GAGÁ E APANIGUADOS VÃO ENGOLIR UMA MANADA DE ELEFANTES...

Algum geriatra que tenha a paciência piedosa de explicar a Mário Soares que, nestas eleições, nunca seria candidato eleitoral e que Manuel Alegre era seu adversário, mas nas outras.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

A METÁFORA E O TANGO

Não dei a mão ao Governo: dei a mão ao País, disse Pedro Passos Coelho. É uma metáfora sorridente, destinada a justificar o conúbio deste PSD com o PS que por aí penosamente se move. A metáfora é uma forma de encantamento, e a dissimulação do que se não deseja abertamente dizer. Ao pretender salvar a pátria, deprimida e confusa, com um tropo linguístico, Passos coloca Sócrates num lugar errante e subalterno. Por seu turno, este, em Espanha, enche aquele de elogios, utilizando, também, uma metáfora, a do tango, para afirmar, ante uma plateia estupefacta, ter, agora, com quem dançar. Uma cena deprimente.

Sócrates já esvaziara de direcção e de sentido a sua política e a sua presunção. Mentiras, omissões, deambulações absurdas, uma certa pusilanimidade decisória tinham-lhe apagado o estilo e embaciado o retrato. Falou-se em arrogância o que, de facto, era falta de convicção, ausência de livros, ambiguidade ideológica. Está a descer rapidamente a rampa. Não sinto o mais escasso contentamento com dizer isto; pelo contrário.

Pedro Passos Coelho apercebeu-se da debilidade. E, igualmente, da oportunidade surgida das indecisões do adversário e do evidente mal-estar no PS. Até o cauteloso e matreiro Seguro, que sempre preferira expressar-se com frases evasivas e castos comentários, começou a protestar, no objectivo essencial de tomar lugar no proscénio. O PS anda numa deriva interminável e só agora o cândido moço desperta, com sobressalto. António José Seguro não passa, realmente, do rasto das coisas.

Quanto a Passos Coelho, ele sabe que não embarcou numa aventura perigosa. Se Sócrates cair, ele não se estatela porque desempenhou o bondoso papel de preferir a pátria ao partido. Acaso Sócrates sair vencedor destes imbróglios e surja aos olhos dos paisanos como a Fénix renascida, Passos Coelho desfrutará do lugar daquele que procedeu a grandes magnitudes e a decentíssimos comportamentos políticos.

José Sócrates talvez ainda se não tenha apercebido, ou apercebeu- -se e gosta da vaidade lisonjeada, de que está rodeado de sabujos, uma gente degradante, para quem o exercício de pensar é uma embaraçosa maçada. Basta assistir aos preopinantes que o defendem para aquilatarmos da natureza dos seus caracteres e da substância do que dizem. O caso da protelação do apoio a Manuel Alegre é uma pequena vingança de pequenos medíocres, sem aprumo nem grandeza, que chegam a espadeirar-se no insulto rasteiro.

O Governo é um descalabro, e o PS um partido enfermo pelo poder. Há uma corrosão acentuada na sociedade portuguesa. A impostura adquiriu carta de alforria: ninguém é culpado, ninguém é responsabilizado. 
Quem nos acode?


B.B.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

GOVERNOS CIVIS PARA QUÊ?

Quando um primeiro-ministro coloca um imposto ao nível de um refrigerante, torna-se ele próprio um detergente. 
Mas há dislates que são como nódoas: não se limpam. 
Quando se equipara um refrigerante ao leite e ao pão, para defender o indefensável (o aumento da taxa do IVA de 5% para 6%), Sócrates mostrou que já não diferencia a realidade da ficção. 
Para ele avatar é a realidade e a sopa dos pobres a ficção. 
Esta crise necessita de sacrifícios. 
Mas precisa também de políticos crescidos. 
A trapalhada em que se encontra Portugal deve muito ao que Sócrates fez nos últimos anos. 
A desculpa para os seus erros não pode ser um refrigerante com borbulhas. 
Na primeira legislatura Sócrates teve tudo para reformar o Estado e para definir um modelo económico para Portugal. 
Agora é tarde. 
Esta crise é de identidade. 
Porque é uma crise de quem nunca cresceu politicamente e que faz da política um jogo do Ken e da Barbie
Esta crise tem a ver com a reforma do Estado. Aumenta-se o IVA de produtos essenciais, mas não se tem a coragem de acabar com uma figura jurássica do Estado: os Governos Civis. 
Para que servem, para além de serem clubes de empregos políticos? 
Os Governos Civis ocupam-se de funções que qualquer serviço do Estado faria. 
Mas esta é a riqueza oculta de um Estado que diz para poupar e que lança impostos sobre o pão e o leite. 
Os Governos Civis são glutões da riqueza dos contribuintes. 
Sócrates, quando pôde, não promoveu a verdadeira reforma: a do Estado. 
Agora, feito em fanicos, afaga as suas mágoas em refrigerantes com gás.

F.S.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

MAIS DOS MESMOS VIGARISTAS ...

Ricardo Rodrigues, deputado do Partido Socialista questionado pelos jornalistas da Sábado sobre a sua ligação a um gang internacional,   interrompeu a entrevista, que decorria na biblioteca da Assembleia da República, e roubou os dois gravadores digitais aos jornalistas. 
Agora, que a revista colocou a história e o vídeo no seu site, diz que foi vítima de uma violência psicológica insuportável construída sobre premissas falsas.

Vale a pena lembrar, então, o que diz o acórdão do Tribunal da Relação para ver o original entendimento que o deputado Ricardo Rodrigues faz de uma premissa falsa:
Nesta conformidade, necessário será concluir, como na decisão recorrida, que a imputação feita ao assistente pelo artigo incriminado de se encontrar “envolvido com um gang internacional” é obviamente insultuosa e indelicada, mas não deixa de estar justificada em factos, que a prova carreada nos autos permite dar, no essencial, como demonstrados.