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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O SOCIALISMO ESTÁ CADA VEZ MAIS NO FUNDO DA GAVETA!

O PS abdicou da defesa dos trabalhadores e dos mais desfavorecidos. 
Trocou a sua matriz socialista pela adesão às teses neoliberais. 
Demonstra-se incapaz de questionar o poder do capital financeiro enquanto dono e árbitro do desenvolvimento económico. 
É dominado internamente por uma liderança autoritária que seca tudo à sua volta, que distribui lugares e se alimenta de promiscuidades
O PS acabou por se instalar no espaço do centro, tornando o país mais pobre, política e socialmente.

As considerações não são minhas. São de Ana Benavente, histórica militante socialista e antiga secretária de Estado da Educação. 
Reflectem o desencanto de uma significativa camada de militantes que não encontra em José Sócrates e na actual direcção do PS o arrojo político que caracterizou historicamente a social-democracia. 
Que, mais triste ainda, não vislumbram aí qualquer hipótese de reabilitação de um padrão ético que reequacione igualdade, liberdade e solidariedade. 
Não é um problema específico do centro-esquerda português, mas não há dúvida que no P português a erosão do S vai bastante adiantada
Veja-se, por exemplo, a inexistência de promoção de debate ideológico, o modo como maioritariamente se buscam diálogos e acordos com a face direita do espectro político, a forma como as estruturas dirigentes se mostraram enfastiadas com uma campanha presidencial que assumia claramente a defesa do Estado social e a crítica à chantagem dos mercados financeiros.

Será interessante perceber se no Congresso de Abril alguém se chegará à frente para fazer a figura de crítico do socratismo. 
António Costa e António José Seguro acham que ainda não chegou a sua hora. 
Manuel Maria Carrilho e Carlos César não estão disponíveis para desempenhar esse papel. 
É bem provável que ninguém se disponha a isso: os tempos futuros adivinham-se difíceis para um potencial sucessor de Sócrates e todos os militantes sabem que este eucaliptou bem o terreno em redor. 
Um adversário talvez desse jeito para que houvesse um simulacro de debate, mas o mais provável é Sócrates ter de ocupar-se sozinho do calor dos holofotes. 
Um passeio que dirá muito sobre o estado a que chegou um partido cada vez mais canibalizado pelo poder.

M.C.